Não deu pra ir na reunião entre professores e alunos na segunda. Mas, com base na de ontem, eu fiquei de acordo e continuo ficando com a ideia de que os alunos devem se aliar com os professores e propor o tal "equilíbrio das mensalidades", baixando fafil e, se preciso aumentando, faeco e faeng. Mas é um "aliar-se" pontualmente. Pelo seguinte:
1. O contexto mais geral é de competição feroz entre os cursos de humanas em geral, letras, história, geografia, sociais incluso. Na verdade, matemática, química, física também. Há uma crise geral das licenciaturas, porque há, ou existe a percepção de que há, melhores opções de trabalho, não só em condições de trabalho (e isso é real: a profissão professor é uma das mais arriscadas e perigosas hj), como em termos de retorno financeiro (aqui pode ser só a percepção, mas na realidade uma parte do salário vem sendo destinada a um gasto enorme de manutenção da saúde do professor, principalmente mental); logo, das três unidades, a Fafil é a mais agredida pelo mercado, cujas faculdades baratas praticam preços muito abaixo (não importa se oferecendo um curso ruim, o fato é que atrai aluno), o que faz a fafil perder alunos a cada ano e ameaça seriamente fechamento de cursos.
2. Embora haja trabalhadores lá do outro lado, e realmente os há, há também uma razoável quantidade de inimigos da classe trabalhadora, na figura de administradores de empresa, candidatos a microempresários etc - o que, no final das contas, e combinado com o fato de que seus valores de mensalidade estão abaixo do mercado (e não há nenhum curso ameaçado como os nossos), em termos gerais resulta que não haverá mobilização por parte deles para reduzir mensalidades. Logo: ou a Fafil se movimenta para salvar "seus cursos", ou carregará nas costas toda a classe estudantil e se afundará na lama com uma bandeira de redução geral das mensalidades que não será erguida pelas outras unidades.
3. A situação ridícula a que chegamos se deve a uma conjuntura mercadológica ruim para os nossos cursos somada a uma política perversa da reitoria de Oduvaldo Cacalano, constrangidamente apoiado por uma parcela de professores da Fafil (incluso nossas sociais) que ainda não percebeu a necessidade de outra luta, como a de 2007, já que outra vez há inchaço da máquina administrativa com cargos comissionados atrelados à estrutura montada em torno de Cacalano-Morgado-Edna Mara dos Santos, aumento intensivo de mensalidades ano após ano, cobrança intolerante e suicida de mensalidades - que faz parecer que a fsa tenta a todo custo dificultar o pagamento, em vez de facilitá-lo.
Ora, os alunos da Fafil não federalizam sozinhos a fsa. Os alunos da Fafil não derrubam sozinhos a reitoria. Os alunos da Fafil não reduzirão suas mensalidades sozinhos. Os alunos da Fafil não têm sequer a capacidade de se mobilizar a si próprios sozinhos (falta-lhes moral ou alguma coisa parecida com a "hegemonia" de Gramsci, que não foi construída na Fafil por acúmulos históricos de erros, especialmente assembleias de 5 horas onde correntes discutem entre si o sexo dos anjos - nem nós mesmos acreditamos em nós). De resto, para fazer qualquer coisa, precisaremos sempre de alianças, preferencialmente com alunos de outras unidades - o que neste momento vejo como improvável. Se a coisa não está boa pra eles da Faeco ou Faeng, com certeza não está tão desesperadora quanto a nossa. Não estamos falando só de um grupo de alunos que, inadimplentes, não poderão estudar; falamos de cursos, que estão se findando, que mutilados anualmente e ensaguentados vão dando os últimos suspiros.
Agora, neste momento, o apoio dos professores para esta mobilização não é mau, especialmente porque se envolveram professores da Fafil, não de só de Sociais ou Geografia, por exemplo. Insisto: agora sozinhos não somos capazes de mobilizar estudantes da Fafil. Agora mobilizaremos meia dúzia, de cursos conhecidos. Trata-se, a todo custo, de fazer uma aliança dos professores neste momento, pagando o alto custo de ir contra nossos colegas estudantes, trabalhadores, de Faeco e Faeng. Trata-se de, agora, segurar uma bandeira escrito: "Abaixo as mensalidades da Fafil; aumento pra Faeco e Faeng".
Isto vale apenas para "agora".
Em momento seguintes, com os alunos da Fafil já mobilizados, é que esta aliança com os professores pode ser posta em xeque. Pelos seus próprios limites, os professores, especialmente os do nosso curso, não conseguem desvincular-se das origens da gestão Cacalano; não a confrontam. Com esta sinalização de aliança com alunos para ir ao Condir, eles acenam timidamente com um leve protesto. Já é alguma coisa. Uma vez mobilizados os alunos, podemos definir outra política. Pode acontecer, neste cenário futuro, que, sentindo-se agredidos, alunos da Faeco e Faeng também se mobilizem em torno do assunto (o que já seria bom, mesmo que se mobilizassem contra nós, da Fafil). Porque aí teriam sido criadas condições para uma aliança de estudantes contra o inimigo real, a reitoria. Seria facílimo fazer uma aliança de estudantes neste segundo momento. Com certeza, arrastaríamos conosco também alguns professores. Agora, estaríamos, porém, no comando.
Não vejo como pode agora o DA da Fafil querer aliança com outras unidades, que ainda não foi construída, se nem mesmo pode garantir que mobilizará os alunos de sua própria unidade! Nem há motivo forte para os alunos destas outras unidades se mobilizarem, como já foi dito. Em suma, não é hora de os alunos conduzirem a mobilização em torno das mensalidades; os professores saberão melhor que nós fazer isso, "agora". Mais tarde, saberemos o que fazer. Trata-se de se acovardar agora na retaguarda, para garantir alguma valentia na vanguarda amanhã.
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