sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que é, o que é, meu irmão?

Costumo ouvir, desde menino, que quem não tá nem aí para a “vida brava”, vive sem se preocupar com nada, porque aparentemente está tudo bom, vive em um “mundo cor de rosa”. A verdade é que cada um vê o mundo, superficialmente, com seus olhos e, consequentemente, enxerga nele suas próprias cores.

Mas, já dizia o filósofo, se a superfície das coisas demonstrasse sua essência, a ciência não seria necessária. Então, não importa qual é a cor que você enxerga no mundo, o que importa é o que o mundo é. O mundo não é cor de rosa, nem tão pouco vermelho. Quer dizer, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante e ela tá aí, firme e forte, fazendo do mundo quantas asneiras forem possíveis e necessárias para perpetuar a ordem. Ainda que a história da sociedade burguesa se desenvolva sobre a luta de classes, a esmagadora maioria do mundo não dá a mínima para a revolução internacional.

Se isso não bastasse, boa parte dos indivíduos que tomam consciência dessa situação, ao invés de manter um esforço no sentido de desfetichizar essa ideologia, desnudando o mundo e revelando sua essência, preferem simplesmente trocar a capa da superfície, como se as contradições e o metabolismo social fossem um monólito uno e imutável. Ao contrário, a realidade é complexa, as relações sociais são repletas de contradições e, só por essa breve explicação, a idéia de uma receita fechada para entendimento do mundo e possível resolução de seus problemas, cai por terra.

Enfim, o mundo está aí, repleto por todas as cores, pesadas e levas, escuras e claras. Nossa função é esmiuçar essa realidade, de forma a trazer a tona suas contradições, criando assim meios para transformá-la. E se acreditamos que uma transformação não só é necessária, como é possível, é porque ainda acreditamos no homem e que ele pode fazê-la através do seu trabalho, de suas melhores capacidades objetivadas no mundo, dedicando nisso sua vida. E pra falar da vida, chamo um dos maiores poetas brasileiros.

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