quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Esclarecimentos – Resposta

Recentemente, a Reitoria da FSA lançou uma nota para toda comunidade acadêmica, denominada “Esclarecimentos”. Essa nossa resposta tem como objetivo “esclarecer” os fatos cuidadosamente distorcidos, bem como as inverdades contidas nessa nota, tenham sido elas fruto de ignorância ou má fé da atual Reitoria.

Todo o espaço do Diretório Acadêmico Honestino Guimarães, inclusive a área destinada à cantina, pertence aos estudantes da FAFIL. A reitoria deveria repassar parte do aluguel ao Diretório Acadêmico, o que não aconteceu – ao menos desde 2009 – durante os períodos em que a cantina esteve aberta. Dessa forma, o aluguel das “lojinhas” é a única fonte de renda do Diretório. Os trabalhadores das “lojinhas” são praticamente os mesmos, desde 2009, nesse período foram três diferentes gestões do DAHG, de modo que, se hoje os trabalhadores das “lojinhas” são “conhecidos” dos estudantes, os são por conta do tempo de convívio e são “conhecidos” inclusive dos membros da atual gestão da reitoria e funcionários em geral que, não raramente, podem ser vistos usufruindo dos serviços naquele espaço. Além disso, a reitoria ignora o fato de que muitos estudantes do campus utilizam a bicicleta como meio de locomoção e, na falta de um bicicletário adequado, utilizam-se de espaços no pátio da FAFIL para estacioná-la.

No espaço do DAHG temos sofás, tabuleiro de xadrez, uma mini-biblioteca – o que torna o DAHG um espaço de convívio dos estudantes da FAFIL – além de um micro-ondas, que pode ser livremente usado pelos estudantes que preferem trazer sua própria refeição que pagar os altos preços das cantinas. Fica claro que o DAHG serve ao “bem comum”. Se ocorreram abusos por alguns setores dos estudantes, são os próprios estudantes que irão se apropriar de seu espaço e fazer dele o melhor uso possível. Além disso, há um ateliê, mantido pelo grupo Escola Livre – composto por alunos e ex-alunos –, que já trouxe exposições e realizou diversas atividades acadêmicas e culturais no campus, além de divulgar o nome da FSA em suas atividades externas.

A Fundação Santo André foi criada para servir a população de Santo André e de toda região metropolitana, fornecendo ensino de qualidade e acessível. Em notória contradição – ou simulação de demência – a reitoria diz: “Reafirmamos o caráter público de nossa Instituição”, porém toma todas as medidas na direção contrária. O cercamento do campus, a privatização do estacionamento da FAENG e os constantes aumentos, se chocam frontalmente com a idéia de “reafirmar o caráter público”. As ditas reinvindicações da comunidade acadêmica não são claras: nenhum tipo de consulta ou plebiscito acerca dos temas de segurança foi feito, nem dentro da comunidade acadêmica, nem com a população da cidade, que são os verdadeiros “donos” da FSA. Inclusive, na ata da 80ª Reunião do Conselho Diretor, está registrado, a partir da linha 187:

“Prof. Murilo apresentou os seguintes questionamentos: 1) No planejamento das ações da gestão, sobretudo pelo montante financeiro envolvido, esta ação enquadra-se em que nível de prioridade? 2) Qual o impacto desta ação na execução orçamentária 2011 ou 2012? 3) qual outra alternativa foi pensada para resolver o problema? Em detrimento da construção das grades?”

É claro que nem nós – comunidade acadêmica –, nem o Profº Murilo, tivemos essas respostas.

Algumas reuniões após essa, foi votado o aumento que, devidamente calculado, chega a 18%. Veja bem, ressaltamos que o aumento é efetivamente de 18%, pois na ardilosa e bem montada “tabela de descontos” fica claro que o valor total da mensalidade passará a ser o valor reajustado por 18%. Isso significa dizer que, se por motivo de força maior, o estudante não puder pagar alguns meses e precisar negociar os meses atrasados, o valor de referência será o valor total, além de ser a base de cálculo para um novo aumento no ano que vem. Ou seja, A IDÉIA DOS DESCONTOS, NESSE CASO, É UMA MANEIRA DE ACALMAR OS ÂNIMOS FRENTE AO MAIOR AUMENTO DE MENSALIDADE DESDE A GESTÃO BERMELHO, que será somado à obrigatoriedade de se pagar para estacionar o carro, no estacionamento da FAENG.

O aumento, que também foi alvo de questionamentos no Conselho Diretor quanto aos cálculos que o justifiquem (Ata da Reunião 83 do Condir, disponível no site da FSA), é tratado como “medidas de combate à inadimplência”. Pois, na mesma nota, a reitoria afirmar ter, além do FIES, 1396 bolsas de estudos, equivalente a 20,5% dos alunos da graduação. Não é estranho que, como “medida de combate à inadimplência” a reitoria decida aumentar em 18% as mensalidades, ao invés de conseguir novas bolsas que garantam o pagamento em dia das mensalidades e a permanência dos estudantes? Por acaso, a “situação ainda deficitária da FSA” é culpa dos alunos que, por motivos muitas vezes alheios a eles, não puderam arcar com as mensalidades? Ou a situação deficitária se refere à dívida deixada pelo antigo reitor? Por que, em uma tentativa de aliviar as contas, a reitoria não busca um parcelamento dessa dívida? Por que devemos aceitar pagar por uma dívida que não é nossa? Por que devemos acreditar que, depois de 18% de aumento para 2012, teríamos uma redução para 2013? Quem está tratando a FSA como “seu quintal”, fazendo o que quer com uma Fundação de caráter público?

É momento de nos unirmos pela manutenção da qualidade da FSA, pela continuidade dos cursos da FSA. Não deixemos que a reitoria jogue estudante contra estudante. Se não agirmos, todos perderemos, nós e nossos cursos.

Erik das Dores – estudante de Ciências Sociais

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que é, o que é, meu irmão?

Costumo ouvir, desde menino, que quem não tá nem aí para a “vida brava”, vive sem se preocupar com nada, porque aparentemente está tudo bom, vive em um “mundo cor de rosa”. A verdade é que cada um vê o mundo, superficialmente, com seus olhos e, consequentemente, enxerga nele suas próprias cores.

Mas, já dizia o filósofo, se a superfície das coisas demonstrasse sua essência, a ciência não seria necessária. Então, não importa qual é a cor que você enxerga no mundo, o que importa é o que o mundo é. O mundo não é cor de rosa, nem tão pouco vermelho. Quer dizer, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante e ela tá aí, firme e forte, fazendo do mundo quantas asneiras forem possíveis e necessárias para perpetuar a ordem. Ainda que a história da sociedade burguesa se desenvolva sobre a luta de classes, a esmagadora maioria do mundo não dá a mínima para a revolução internacional.

Se isso não bastasse, boa parte dos indivíduos que tomam consciência dessa situação, ao invés de manter um esforço no sentido de desfetichizar essa ideologia, desnudando o mundo e revelando sua essência, preferem simplesmente trocar a capa da superfície, como se as contradições e o metabolismo social fossem um monólito uno e imutável. Ao contrário, a realidade é complexa, as relações sociais são repletas de contradições e, só por essa breve explicação, a idéia de uma receita fechada para entendimento do mundo e possível resolução de seus problemas, cai por terra.

Enfim, o mundo está aí, repleto por todas as cores, pesadas e levas, escuras e claras. Nossa função é esmiuçar essa realidade, de forma a trazer a tona suas contradições, criando assim meios para transformá-la. E se acreditamos que uma transformação não só é necessária, como é possível, é porque ainda acreditamos no homem e que ele pode fazê-la através do seu trabalho, de suas melhores capacidades objetivadas no mundo, dedicando nisso sua vida. E pra falar da vida, chamo um dos maiores poetas brasileiros.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A tal da prática

Acabou a Semana de Ciências Sociais 2010 na FSA. Quem tem sua atividade ligada a alguma das áreas de Humanas ou participa ativamente desse tipo de atividade sabe como é difícil montar eventos desse tipo. Não só no que diz respeito à organização, me refiro mais a preocupação de ter ou não público, afinal convenhamos, se não tem bunda lelê ou empreendedorismo pra que serve isso tudo? Entender o mundo? Transformação?

Atividades como a Semana, uma palestra aqui ou ali, ou mesmo a manutenção de um curso de humanas têm sido “nadar contra a maré”, ir contra o fluxo normal e majoritário. Tínhamos noção disso quando, em um grupo de alunos, resolvemos abraçar a idéia da semana e nadar contra a corrente com força até o fim. Por quê? Porque a Semana é importante para a manutenção do curso e o curso é importante não só no que tange o ensino da região, mas por se inclinar, contra a maré, ao entendimento do mundo.

No decorrer desse processo, me lembrei de um tema que me incomoda e ainda tem que ser objeto de muito estudo e reflexão: a tal da prática. Me recordei de contestações a respeito de pessoas, marxistas para ser mais exato, que seriam apenas teóricos, nunca entravam para o campo da prática, isso me deixou meio confuso, afinal, quais são os limites entre o teórico e a prática? O próprio trabalho teórico não seria uma prática de grande importância?

Temos que ser realistas, não sabemos qual a abrangência nem os frutos que podemos obter de uma Semana de Curso, ainda mais tendo ciência que não foram todas as palestras da qualidade que queríamos. Mas tentar levar debates importantes sobre temas que nos atingem de uma forma ou de outra, para o maior número de pessoas possível, não é um ato prático?

O que eu quero dizer é que existe uma diferença prática entre “nadar contra a corrente” e “dar murro em ponta de faca”, para usar de mais um dito popular. Da mesma forma que nadar contra a corrente e sem direção também não se figura como a melhor das alternativas. Analisar o real, o concreto para definir como nadar contra o (re)fluxo em que vivemos é uma tarefa prática, que tem como objetivo a busca de melhores e mais efetivas práticas de transformação.O ato de ignorar a prática teórica, atividades aparentemente menos efetivas e a análise crítica do real não passa de ignorância pseudo-revolucionária disfarçada de prática.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

América Latina

Começou surpreendente a Semana de ciências sociais 2010. No auditório, na palestra das 20h, falaram o argentino Christian Castillo e o brasileiro José H. Organista - este último, em dado momento, foi chamado por Lívia Cotrim de "Evangelista", num ato falho. O que não combinou, de jeito nenhum. Com uma retórica como a que tem, Organista não teria levado o evangelho sequer à ilha de Chipre. Quero dizer com isso que a primeira noite, com o tema: "América Latina: independência e subordinação", foi horrível.

Organista tinha a incrível capacidade de dizer o óbvio, chover no molhado, embaralhar as palavras, truncar a sintaxe, matar a prosódia, a métrica, a entonação, o sentido, a sequência e as ideias – falou o quanto pôde e terminou por não dizer nada. Seu colega, Castillo, por sua vez, passou metade do tempo lendo informações que trouxe num papel, relatório extenso de todo o processo histórico argentino nos últimos 200 anos – algo que bem poderia ser lido no wikipédia, em melhor português. As respostas que deu arranjar-se-iam em qualquer enciclopédia, ou no Yahoo respostas.

O pior é a percepção de que suas falas rasteiras não se deveram tanto a precauções didáticas sobre o baixo intelecto da plateia, senão que à incapacidade teórica e discursiva de ir a fundo em temas mais complexos, explorar perspectivas originais ou falar uma fala minimamente agradável. Quem não dormiu – ou não estava muito cansado ou tinha em si grande dose de humanidade. O que salvou o argentino, e tornou menos irritante sua apresentação, foi talvez a nossa ignorância sobre seu país, cujos fatos políticos e estatísticos que apresentou logaram algum interesse dos ouvintes – sem contar na sua melhor articulação dos fonemas, sintagmas nominais e verbais, enfim, do discurso. Melhorou na segunda parte, quando parou de ler, e passou a reportar até curiosas frases de Meném, garantindo que queria ver os proletários proprietários, e ainda fez gracejos felizes – tão necessários nesta triste noite.

De aproveitável, talvez, tenha sido sua constatação de que, pelo processo recente por que passou a Argentina, especialmente em 2001, quando o povo depôs sucessivos presidentes, criou-se uma cultura: a de que é preciso lutar para conquistar. Ou: "quem não chora, não mama!" Esta cultura segue viva tanto nas fábricas ocupadas, como a Zanón, quanto nas greves dos estudantes secundaristas, agora. Este histórico de ação direta popular teve consequências culturais, para eles. Para nós, que temos outro histórico, não há sequer a mais mínima noção de cidadania.

Na Fafil isto nota-se pouco, mas em prédios como Faeco e Faeng, torna-se visível a incapacidade dos alunos ali estudantes de lutar por seus direitos, intervir politicamente nos rumos municipais, para ficarmos no mais baixo dos níveis. Não lhes falta uma consciência de classe: falta a consciência de que vivem numa sociedade, e as mais elementares regras da política. E ainda nos enganamos, em nosso D.A., querendo enfrentar a reitoria acompanhando companheiros que não têm nem a cultura nem a vontade de enfrentar ninguém. Pior: queremos repetir 2007 e derrubar uma reitoria novamente ineficaz, sem porém perceber que em 2007 acumularam-se forças de anos anteriores, e tanto alunos como boa parte dos professores queriam a mesma coisa. Hoje, praticamente professor nenhuma quer a saída da atual reitoria.

Agora, resta saber se esta cultura da desmobilização, que nos cerca, deriva do conservadorismo deste Brasil de agora ou da incompetência discursiva dos nossos dirigentes. Não sem razão, já vimos muitas assembleias que dão sono.

sábado, 28 de agosto de 2010

Lucidez


Há muito me pergunto como se dá uma exitosa articulação entre teoria revolucionária e prática revolucionária no contexto em que vivemos. Às vezes pode parecer até cômico usar esses termos, tão distantes que são da nossa realidade. De todo modo, o intuito aqui é tocar em outro ponto, e comecei falando sobre a referida articulação porque é geralmente uma das primeiras perguntas que nos fazemos ao tomarmos a posição revolucionária. Pretendo aqui atentar para outra coisa, uma pergunta que teria que vir antes: que teoria e prática revolucionárias são essas? Ou ainda: em que solo ocorre sua germinação? A questão é trasladar o problema para a consideração da inter-determinação entre idéias e realidade, à medida que isso é possível aqui, no que diz respeito à consciência revolucionária.

Levanto essa questão pelo fato de que vivemos num conjunto de relações sociais que foram produto dos homens ao longo da História, mas não produto meu nem seu (ao menos até o momento em que passamos a atuar no mundo). Isso vai ser sempre assim, evidentemente, mas o descaminho fica evidente ao se compreender que essas relações são construídas, poder-se-ia dizer, sobre uma base de areia movediça – sem entrar (por se tratar de uma reflexão blogueira) nos méritos teóricos da questão, são construídas no âmbito da alienação e do estranhamento: a conseqüência necessária das relações capitalistas de produção.

“Areia movediça” parece ser uma boa metáfora. Isso porque, ao contrário do que se passa nos filmes, a areia movediça se comporta como um líquido e nos traga, o que é agravado por nossos movimentos bruscos e desesperados, mas na qual se consegue boiar com relativa facilidade devido à sua densidade. O problema é sair dela. Evoco a imagem para fazer um paralelo com nossas relações sociais atuais, que são pautadas pela troca. Os indivíduos se relacionam entre si, na sociedade moderna, por meio de sua propriedade, como há muito demonstraram, para citar apenas os dois mais importantes, Hegel e Marx (cada um a seu modo e dentro de suas possibilidades históricas), e cada indivíduo se relaciona assim inclusive consigo mesmo (até certo ponto ao menos no que tange ao próprio corpo). Minha vontade se realiza em objetos que são minha propriedade: não tenho aquilo que não quero, e aquilo que tenho encarna o que quero. Isso não diz respeito apenas às coisas, mas também aos outros com quem me relaciono, seja quem for, que freqüentemente se reduzem a meios mais ou menos eficientes para que eu atinja meus fins individuais.

Nesse âmbito, como manter-se são? Buscando basear nossa individualidade por valores humanistas, crendo no racionalismo, como não se deixar levar por relações amiúde tão banais? A questão está em apoiar os pés num solo firme, isto é, além de aprender a lidar com as relações pautadas pela troca – ainda que, assim como qualquer ser humano vivendo desse modo, com mal-estar reluzente (ele sabendo disso ou não) –, pautar nossas relações por alguma outra coisa. Está, então, em saber blindar-se de alguma forma dessa realidade de relações sociais apodrecidas, a fim de que nossa individualidade mesma não apodreça. Mas o risco é cair no outro extremo, a saber: o espaço das infinitas possibilidades de determinação, isto é, fechar-se na própria consciência como forma de fugir da realidade que existe precisamente desse modo (e não de qualquer outro).

Então se coloca a dúvida de como manter efetivo o estatuto de revolucionário ao conviver com relações que nos jogam para baixo o tempo inteiro, desanimam nossos ânimos mais fortes, fazem parecer meras divagações as aspirações de emancipação humana. Não se deixar acostumar (continuar a se comover com as mazelas sofridas pelos seres humanos) é uma das tarefas necessárias (dentre outras), de difícil alcance e, ao mesmo tempo, pungentes. Como transformar essas idéias revolucionárias – as autenticamente revolucionárias, essas que buscam a emancipação humana – em realidade passa antes pela questão de transformá-las, aos que se assumem revolucionários, em pauta para a própria vida. Aí está um grande desafio para qualquer um que se proponha a transformação radical da realidade – sem utopia –, já que essa mesma realidade se opõe com todas as forças a qualquer tentativa nessa direção. Não obstante, cabe ressaltar que essa tarefa está longe de ser impossível, pois somos nós que produzimos o mundo. É necessária lucidez.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Proposta

Não deu pra ir na reunião entre professores e alunos na segunda. Mas, com base na de ontem, eu fiquei de acordo e continuo ficando com a ideia de que os alunos devem se aliar com os professores e propor o tal "equilíbrio das mensalidades", baixando fafil e, se preciso aumentando, faeco e faeng. Mas é um "aliar-se" pontualmente. Pelo seguinte:
 
1. O contexto mais geral é de competição feroz entre os cursos de humanas em geral, letras, história, geografia, sociais incluso. Na verdade, matemática, química, física também. Há uma crise geral das licenciaturas, porque há, ou existe a percepção de que há, melhores opções de trabalho, não só em condições de trabalho (e isso é real: a profissão professor é uma das mais arriscadas e perigosas hj), como em termos de retorno financeiro (aqui pode ser só a percepção, mas na realidade uma parte do salário vem sendo destinada a um gasto enorme de manutenção da saúde do professor, principalmente mental); logo, das três unidades, a Fafil é a mais agredida pelo mercado, cujas faculdades baratas praticam preços muito abaixo (não importa se oferecendo um curso ruim, o fato é que atrai aluno), o que faz a fafil perder alunos a cada ano e ameaça seriamente fechamento de cursos.

2. Embora haja trabalhadores lá do outro lado, e realmente os há, há também uma razoável quantidade de inimigos da classe trabalhadora, na figura de administradores de empresa, candidatos a microempresários etc - o que, no final das contas, e combinado com o fato de que seus valores de mensalidade estão abaixo do mercado (e não há nenhum curso ameaçado como os nossos), em termos gerais resulta que não haverá mobilização por parte deles para reduzir mensalidades. Logo: ou a Fafil se movimenta para salvar "seus cursos", ou carregará nas costas toda a classe estudantil e se afundará na lama com uma bandeira de redução geral das mensalidades que não será erguida pelas outras unidades.

3. A situação ridícula a que chegamos se deve a uma conjuntura mercadológica ruim para os nossos cursos somada a uma política perversa da reitoria de Oduvaldo Cacalano, constrangidamente apoiado por uma parcela de professores da Fafil (incluso nossas sociais) que ainda não percebeu a necessidade de outra luta, como a de 2007, já que outra vez há inchaço da máquina administrativa com cargos comissionados atrelados à estrutura montada em torno de Cacalano-Morgado-Edna Mara dos Santos, aumento intensivo de mensalidades ano após ano, cobrança intolerante e suicida de mensalidades - que faz parecer que a fsa tenta a todo custo dificultar o pagamento, em vez de facilitá-lo.

Ora, os alunos da Fafil não federalizam sozinhos a fsa. Os alunos da Fafil não derrubam sozinhos a reitoria. Os alunos da Fafil não reduzirão suas mensalidades sozinhos. Os alunos da Fafil não têm sequer a capacidade de se mobilizar a si próprios sozinhos (falta-lhes moral ou alguma coisa parecida com a "hegemonia" de Gramsci, que não foi construída na Fafil por acúmulos históricos de erros, especialmente assembleias de 5 horas onde correntes discutem entre si o sexo dos anjos - nem nós mesmos acreditamos em nós). De resto, para fazer qualquer coisa, precisaremos sempre de alianças, preferencialmente com alunos de outras unidades - o que neste momento vejo como improvável. Se a coisa não está boa pra eles da Faeco ou Faeng, com certeza não está tão desesperadora quanto a nossa. Não estamos falando só de um grupo de alunos que, inadimplentes, não poderão estudar; falamos de cursos, que estão se findando, que mutilados anualmente e ensaguentados vão dando os últimos suspiros.

Agora,  neste momento, o apoio dos professores para esta mobilização não é mau, especialmente porque se envolveram professores da Fafil, não de só de Sociais ou Geografia, por exemplo. Insisto: agora sozinhos não somos capazes de mobilizar estudantes da Fafil. Agora mobilizaremos meia dúzia, de cursos conhecidos. Trata-se, a todo custo, de fazer uma aliança dos professores neste momento, pagando o alto custo de ir contra nossos colegas estudantes, trabalhadores, de Faeco e Faeng. Trata-se de, agora, segurar uma bandeira escrito: "Abaixo as mensalidades da Fafil; aumento pra Faeco e Faeng".

Isto vale apenas para "agora".

Em momento seguintes, com os alunos da Fafil já mobilizados, é que esta aliança com os professores pode ser posta em xeque. Pelos seus próprios limites, os professores, especialmente os do nosso curso, não conseguem desvincular-se das origens da gestão Cacalano; não a confrontam. Com esta sinalização de aliança com alunos para ir ao Condir, eles acenam timidamente com um leve protesto. Já é alguma coisa. Uma vez mobilizados os alunos, podemos definir outra política. Pode acontecer, neste cenário futuro, que, sentindo-se agredidos, alunos da Faeco e Faeng também se mobilizem em torno do assunto (o que já seria bom, mesmo que se mobilizassem contra nós, da Fafil). Porque aí teriam sido criadas condições para uma aliança de estudantes contra o inimigo real, a reitoria. Seria facílimo fazer uma aliança de estudantes neste segundo momento. Com certeza, arrastaríamos conosco também alguns professores. Agora, estaríamos, porém, no comando.

Não vejo como pode agora o DA da Fafil querer aliança com outras unidades, que ainda não foi construída, se nem mesmo pode garantir que mobilizará os alunos de sua própria unidade! Nem há motivo forte para os alunos destas outras unidades se mobilizarem, como já foi dito. Em suma, não é hora de os alunos conduzirem a mobilização em torno das mensalidades; os professores saberão melhor que nós fazer isso, "agora". Mais tarde, saberemos o que fazer. Trata-se de se acovardar agora na retaguarda, para garantir alguma valentia na vanguarda amanhã.