É, como está não pode ficar. Sim, sim, a revolução há muito se faz necessária. Na verdade, como se diz: “é pra ontem”. Mas já tem um tempo, me peguei pensativo sobre o assunto, sobre as possibilidades reais de uma mudança estrutural, sobre o que era (ou devia ser) a tal revolução, como de costume procurei no dicionário e achei algo curiosamente engraçado que eu acho que já vi por aí:
[...] 14. Estado de uma coisa que se enrola, se revolve ou gira sobre si mesma. [...]
Bom, nesse período assisti ao filme “Munique”. Muito bom, apesar de muito extenso, o filme narra a história de uma equipe da Mossad, que está na caça do grupo terrorista responsável pelo atentado aos atletas israelenses nas Olimpíadas de 72, em Munique. Em determinado ponto do filme, o grupo Mossad (Israel) se encontra com um grupo palestino e para evitar um confronto desnecessário no momento eles se passam por um grupo Internacional Comunista. Até aqui tudo bem. Veio então o dialogo que nos interessa nesse momento e que irei transpor de forma aproximada.
O líder Mossad (aqui se passando por comunista) vai fumar e conversar com o líder palestino. Estão falando sobre suas respectivas missões, quando o mossad/comunista diz:
“Vocês acham mesmo que essa guerra vai levar vocês a algum lugar?”
E o líder palestino responde:
“Pra você talvez não faça diferença. Mas a verdade é que não estamos nem aí para a sua revolução internacional. O que nós queremos é um lar.”
Confesso que não foi tão simples de assimilar, mas além de me fazer perceber que o problema é muito maior que meu raio de alcance, me levou à outra questão muito séria: da forma que for, não pensamos mais a fundo os problemas humanos com a devida atenção. Se tudo beira ao desespero, é assim porque é, sempre foi e sempre será. E para piorar ainda mais a situação, o homem que talvez nos tenha dado as melhores bases para entender nossas relações e nosso mundo objetivo é constantemente distorcido, seja por seus inimigos óbvios ou, o que é tão ou mais nocivo, por aqueles que reivindicam para si tal linha de pensamento.
Se o quadro geral não se mostra bom, temos ainda algum tipo de esperança, como não pode deixar de ser.
No mesmo dicionário que eu mencionei no início, haviam outros significados para “revolução”:
[...]7 Sistema de opiniões hostis ao passado e pelas quais se procura uma nova ordem de coisas, um futuro melhor. 8 Perturbação moral; indignação, agitação. [...]
E a boa notícia é que esses outros significados não são nada mais, nada menos, que capacidades humanas. Nos basta agora objetivá-las.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
É verdade que "não pensamos mais a fundo os problemas humanos com a devida atenção". O diálogo que v. apontou passou despercebido, mas a reflexão central acho que foi a mesma. Agora lembrei uma história relacionada à CBC, que é mencionada no texto, que traz algum otimismo, pra não ficarmos apenas chorando por causa deste mundo horrível. É grande, depois conto.
ResponderExcluir